Jussara Hoffmann
 

 

ARQUIVO I
De como me tornei PROFESSORA

ARQUIVO II
Do ensinar ao educar

ARQUIVO III
Da definição de rumos

ARQUIVO IV
Avaliando redações

ARQUIVO V
De readaptações

ARQUIVO VI
Faced/ UFRGS e Educação Infantil

ARQUIVO VII
Avaliação: mito ou um desafio?

ARQUIVO VIII
Uma prática em construção

ARQUIVO IX
Das intenções às ações

ARQUIVO X
De como me tornei editora

ARQUIVO XI
Avaliar: respeitar primeiro, educar depois

MELHORES MOMENTOS
Galeria de fotos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

ARQUIVO I
De como me tornei PROFESSORA

Fevereiro de 1951 a Julho de 1969

Começo pelas primeiras experiências dessa caminhada e que deixaram marcas como tatuagens, impossíveis de se remover.

Nasci em Bagé, cidade da campanha do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai, para onde muitas vezes viajamos a passeio.

A quinta filha de sete irmãos, quatro mulheres e três homens, também estudei para ser professora como todas as mulheres da família o fizeram.

Minha primeira turma: alunas da 3ª série - Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho - POA/RS - 1969

Quando completei nove anos viemos morar em Porto Alegre e no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, de irmãs franciscanas e só para meninas, tornei-me PROFESSORA e vivi papéis decisivos para a escolha de alguns rumos profissionais. De aluna à estagiária e à professora nessa mesma escola, onde permaneci durante 19 anos (de aluna à professora e coordenadora pedagógica), minha experiência inicial foi envolvente e inquietante.

Paralelamente ao entusiasmo dos primeiros anos de magistério, sofri a transição do sistema de ensino do país com a reforma de 1971. Cursos de reciclagem e cadernos de orientação curricular eram recebidos por nós, professores, sob a natural resistência do enfrentamento ao novo, mas sem a postura reflexiva necessária para sugerir modificações ou fazer uma crítica consistente. A experiência nas séries iniciais foi, no entanto, extremamente importante pelo seu significado no meu futuro profissional. Gostei muito desse ofício e exercê-lo me deu prazer. Como diz Rolnick (1993, p.249), “prazer de me colocar à disposição e acompanhar o aluno nesta difícil e gratificante empreitada, e vê-lo conquistando o potencial de aprendiz/criador”. A relação estabelecida com as crianças foi sempre intensa, de amizade e cumplicidade, numa descoberta compartilhada do ensinar e aprender.

Ao final do curso de magistério e como estagiária no Bom Conselho, namorei, fiquei noiva e casei com o Nelson, meu grande incentivador na área profissional até os dias de hoje. Recém-casada trabalhava e era estudante do Curso de Letras na UFRGS, o que me possibilita compreender hoje as dificuldades que enfrentam professores que percorrem semelhante trajetória pelo acúmulo de tarefas e estudos daí decorrentes.

Como formação para o magistério, entretanto, considerando o meu entusiasmo pela carreira que iniciava, o curso de Letras foi decepcionante. Buscava a licenciatura e encontrava o bacharelado: o latim, a crítica literária, a filologia... Não constituíamos, como alunos, grupos capazes de reivindicações (anos 70?) e calávamos diante de um curso estruturado para a formação de críticos literários, mas constituído, em sua maioria, por estudantes em busca de disciplinas que auxiliassem a ensinar a ortografia, a gramática, a literatura, além de uma consistente formação pedagógica.

Natural a impressão que me causou a passagem pela Faced/UFRGS. As disciplinas que aí cursei, principalmente a psicologia e a didática, interessaram-me muito pela ressonância com o que vivia como professora, provocando-me novos olhares sobre a área da educação e fazendo-me buscar outros rumos.